domingo, 27 de junho de 2010

Ao tom do imaginário.

No campo imaginário
sou profeta, sou pretérito,
sou lavrador.

No campo do imaginário
sou luz, sou trevas,
sou lutador.

No campo do imaginário
sou começo, sou tropeço,
sou redentor.

No campo do imaginário
sou relva, sou selva,
sou contemplador.

No campo imaginário
sou dor, sou ardor,
sou pecador.

No campo imaginário
visto minha nudez
perante o Senhor.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

A essência do momento.

Na minha incoerência
brotada os frutos do erro
renasce a justiça
e sombreia nvamente boas atitudes.

Na minha intolerância
vi nascer o cata-vento
captando energia
para realizar bons momentos.

Na minha infância
fantasiei a vida adulta
com brincadeiras de criança
inventando e reinvntando o novo mundo.

O acaso profundo.

Tenho vivido por caminhos de indecisão
Trilhado a inércia dos acontecimentos
Tido o vazio de algumas experiências
Conseguido a ternura da espera.

Visto a omissão da força do homem
A lacuna de um complexo de pensamentos
A falta de pegadas em terrenos férteis
A visão do longe alcançável pelo esforço.

O dissabor de algumas incompreensões
O acerto pela paciência do amanhecer
Exemplos fatigando o meu ego
E desenterrando um novo dia.

Vejo a imagem colorida nos raios de sol
Atitudes que deixam de ser
O equilíbrio do verde das matas silvestres
E o Criador pela purerza do balé dos riachos e cachoeiras.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A sombra do meu eu.

Saiu de mim para conhecer o outro.
Me encontro em fíguras e máscaras.
Cada face um DNA da razão.
Cada ser um sentimento e emoção.

Transfiguro-me em facetas complexas.
Me encontro no reflexo da luz,
que causa a minha sombra.
Deleito-me sobre letras
buscando a combustão para minha existência.

Em pingo d'água me perco
no oceano da multiplicidade.
Vertigens conscientes me levam
a caminhos de semelhantes passados.

A sombra me renega,
porque não carrega o meu ser.

Porventura sou eu a luz
para minha sombra
retratando a clausura dos caminhos
trilhados pelos meus pés?

A voz do vazio.

O silêncio conduz minha alma.
Me destempero para saber o sabor do nada.
Me vejo na escuridão como o próprio escuro reluzente.
Atravesso avenidas e me ponho na frente de canhões.
O medo não me fere mais.
Agora serei imbatível para eternidade.
Conhecerei o vazio de tudo que se diz está completo.
E serei o completo de tudo que se diz está vazio.
Serei a ponte do infinito desejo do sabor ardente do livro sem palavras.
Serei estrela na terra e mar no sol.
A imensidão imaginária do eterno nada.
A minha ponte não vai ao sol, não chega ao mar, não encontra a terra.
Mas namora a lua e a constelação estrelar.
Mesmo assim, o amargo vazio não contempla o amor.

domingo, 6 de junho de 2010

Retratando a Vida

Eu vejo a vida da codurniz,
no trabalho do aprendiz,
no canto dos pardais,
no vôo das andorinhas,
na ciranda da criançada.

Eu vejo a vida no cocoricó do galo,
no banho de cachoeira,
na plantação de melancia,
na partida de futebol.

Eu vejo a vida no sorriso da criança,
no nascer do sol,
na brisa da madrugada,
no canto da coruja.

Eu vejo a vida na timidez
do primeiro namoro,
no beijo dos amantes,
na mansidão dos velhinhos,
no aniversário de casamento,
no pensamento do jovem revolucionário.

Eu vejo a vida nas fases da lua,
no brilho das estrelas,
nos poemas dos poetas,
nas canções do cancioneiro,
nas viagens do caminhoeiro.

Eu vejo a vida em cada
ser humano do mundo inteiro.

Entrincheirando as fronteiras

As fronteiras das raças.
das economias, das ideologias,
das desigualdades sociais.

As fronteiras dos sexos,
das religiões, das etnias,
do valor do arroz e do feijão.

As fronteiras das hipocrisias,
das demagogias, dos roubos,
dos furtos de todo ladrão.

As fronteiras das políticas,
dos partidos, das facções,
das quadrilhas, dos homens sem ética,
do trabalho escravo, da tirania,
que na falta de cidadania
vemos nossos diretios como cinza de carvão.

As fronteiras reduzem o homem,
algema a liberdade,
apaga os passos de cada cidadão.

As fronteiras nega os direitos
do ser em união.
Reascende o revanchismo
do preconceito dos costumes de cada nação.