Nos ensaios da antologia, os dois autores-amigos se complementam reciprocamente. Segundo Müller, os méritos da Teologia da Libertação vão além do âmbito do catolicismo latino-americano. O Prefeito indica que a Teologia da Libertação expressou no contexto real da América Latina das últimas décadas a orientação para Jesus Cristo redentor e libertador, que marca qualquer teologia autenticamente cristã, justamente a partir da insistente predileção evangélica pelos pobres. "Nesse continente”, reconhece Müller, "a pobreza oprime as crianças, os anciãos e os enfermos”, e induz a muitos a "considerar a morte como uma escapatória”. Desde suas primeiras manifestações, a Teologia da Libertação "Obrigava” as teologias de outras partes a não criar abstrações sobre as condições reais da vida dos povos ou dos indivíduos. E reconhecia nos pobres "a própria carne de Cristo”, como agora repete o Papa Francisco.
[...]
certas "cruzadas” contra a Teologia da Libertação: "Com o sentimento triunfalista de um capitalismo, que provavelmente se considerava definitivamente vitorioso, mesclou-se também a satisfação de, dessa maneira, ter cancelado qualquer fundamento ou justificação da Teologia da Libertação. Acreditava-se que, com ela, o jogo era muito simples; classificando-a no mesmo contexto da violência revolucionária e do terrorismo dos grupos marxistas”. Müller também cita o documento secreto, preparado para o presidente Reagan pelo Comitê da Santa Sé, em 1980 (ou seja, quatro anos antes da primeira Instrução vaticana sobre a Teologia da Libertação), no qual se solicitava ao governo dos Estados Unidos que atuasse com agressividade contra a "Teologia da Libertação”, culpada de ter transformado a Igreja Católica em "arma política contra a propriedade privada e o sistema de produção capitalista”. "É desconcertante nesse documento a desfaçatez com que seus redatores, responsáveis por ditaduras militares brutais e por poderosas oligarquias, fazem de seus interesses pela propriedade privada e pelo sistema produtivo capitalista o parâmetro do que deve valer como critério cristão”.
(Trecho do artigo " Roma e a Teologia da Libertação": fim da guerra, escrito por Gianne Valente no site www.adital.com.br)
terça-feira, 25 de junho de 2013
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